quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Vitória sem fazer força

O Coritiba venceu fácil o Figueirense por 3x0, com gols de Maurício, João Henrique e Keirrison. Com a vitória, o Coxa subiu na tabela, tendo 35 pontos. Agora, o Verdão encara um jogo mais complicado. Domingo, é o São Paulo, no Alto da Glória e o Cori não poderá contar com Dorival Jr. no banco, já que o treinador foi punido com uma suspensão de 30 dias pelo STJD - por uma denúncia do 4º árbitro da partida Santos 1x3 Coritiba.

O time catarinense mostrou um futebol muito pobre tecnicamente e foi facilmente superado pelo Coxa, que jogou o suficiente e não forçou para vencer por 3x0. Num lance de oportunismo, o zagueiro Maurício fez o primeiro gol de cabeça, depois de um escanteio, logo a 4 minutos.

O gol no início facilitou o serviço Coxa-Branca. O time do Alto da Glória teve uma boa condução da partida, dominando as ações e não sendo importunado pelo time catarinense, que veio para empatar e não mostrou nenhum talento individual capaz de brilhar no gramado do Couto Pereira.

No tempo inicial, ao natural, o Cori conduziu o jogo, apesar de não conseguir algumas oportunidades mais agudas e chegar com perigo à meta do time do Figueira, exceto por um lance individual de Keirrison, que recebeu uma bola rasteria da esquerda e bateu no canto oposto do goleiro, mas a bola caprichosamente saiu pela linha de fundo.

No primeiro tempo, o time visitante não chegou ao gol de Vanderlei, exceto por um vacilo individual de Rodrigo Mancha que, bobeou num toque para trás e quase deu um contra-golpe que poderia levar perigo à meta coritibana.

Um erro crasso do paulista Sálvio Spinola Fagundes Filho (FIFA), o árbitro não deu um pênalti claro em Marlos, que foi derrubado pelo zagueiro na grande área.

O ataque do Cori não aproveitou a lentidão de Asprilla, que mostrou dificuldades no jogo contra Marlos e Keirrison.

Com a contusão do zagueiro Maurício, que jogou no sacrifício até o fim do primeiro tempo, no intervalo Dorival foi obrigado a mexer no time, colocando o jovem Lucas em campo.

Apesar de ter mostrado segurança em vários lances, num vacilo na saída de bola, Lucas acabou armando um contra-ataque e teve que cometer a falta, sendo expulso pelo árbitro. Um lance de rigor do apitador.

No tempo final, o time visitante até teve mais posse de bola, mas sem ofensividade suficiente para incomodar a defesa desfalcada do Coxa.

Num lindo lance individual, o meia João Henrique fez um golaço, chutando com estilo, no alto e fazendo a torcida Coxa-Branca comemorar em alto e bom som o belo gol do meio-campista. Neste jogo, a galera Coxa cantou o jogo todo, mas sem a intensidade habitual.

O treinador do time visitante até tentou deixar o Figueira mais ofensivo ao colocar Rodrigo Fabri, mas a mudança pouco resultado prático trouxe ao time alvinegro. Num vacilo incrível do goleiro e do zagueiro catarinense, depois de uma cobrança de tiro de meta, Keirrison ficou livre pra marcar. O camisa 9 ainda fintou duas ou três vezes o zagueiro e bateu no canto, para comemorar com a galera da Império Alviverde. Era o terceiro gol Coxa, selando o placar da partida.

No tempo final, DJ ainda colocou Rubens Cardoso no lugar de Ricardinho - que deixou o campo aplaudido pela torcida - e o gringo Ariel no lugar do artilheiro K9, que também foi muito aplaudido pela galera Verde e Branca.

O gringo mostrou muita força. Habilidade pouca, mas muita voluntariedade. O estilo do argentino é o jogo forte, de área. Num lance normal, o apitador paulista deu um cartão amarelo para Ariel. Novamente, rigor de Sávio Sálvio Fagundes Filho.

O Coritiba ainda cedeu muito espaço na marcação. É verdade que o time da cidade de Florianópolis não mostrou força para incomodar a defesa do Coritiba, mas esta era uma oportunidade para golear. Ficou barato, mas também por ação do time Coxa, que não forçou mais o jogo.

Destaque positivo é o clima criado para o jogo de domingo, um confronto direto com o time tricolor do Morumbi. Um jogo difícil, mas com a galera Coxa embalada, o Coritiba ganha mais força para encarar o time de Muricy Ramalho que venceu com facilidade o time da Baixada por 3x1. Agora, é briga de times grandes, times de tradição, camisa e de muita torcida.

DJ falou tudo

"O campeonato é essa briga constante, não existe relaxamento, não existe tranqüilidade. Só no final do campeonato pode haver tranqüilidade, espero que o Coritiba se prepare para poder suportar o campeonato até o fim dentro dessa condição que tem apresentado até então".

A frase acima é de Dorival Jr., na coletiva à imprensa de terça-feira.

DJ mandou bem, falou tudo.

O campeonato é uma guerra até a última rodada, até o final. Por isto, não existe relaxamento, não existe tranqüilidade.

O Coritiba precisa se preparar para suportar a pressão e a exigência alta que é a competição. E precisa se preparar para suportar até o fim.

Eis tudo.

É assim que se trata uma situação profissional.

Quando se fala em rigor, que beira à intransigência, Bernardinho, o treinador da seleção brasileira de voleibol masculino, é modelo pra muita gente.

É isto mesmo: o bom é inimigo do ótimo. Tá bom? Então, que fique melhor ainda.

Ao se encarar as dificuldades sem medo, e se preparar adequadamente para todo o seleto rol de agruras e dificuldades, se atua profissionalmente.

É isto aí, DJ, mandou bem! Não basta discursar que se é profissional. Tem que atuar como tal.

(Foto: Mauro Martins)