domingo, 27 de julho de 2008

Time e torcida, lado a lado


Números à parte, o jogo contra o Grêmio será muito mais difícil do que a tabela aparente. Historicamente, um adversário que sabe jogar no Alto da Glória. O atual time tricolor é tecnicamente e coletiva melhor preparado do que o time Coxa.

Mas lá no campo, na hora do jogo, o equilíbrio pode acontecer quando o torcedor joga junto. O time se multiplica em campo e aí, é quem quer mais vencer a partida.

O time gaúcho será um adversário muito, muito difícil de ser batido. Historicamente é assim e neste dia 31 não será diferente. É difícil, mas não é impossível vencê-los.

O Coritiba irá jogar com o seu fiel torcedor, lado a lado, na cola do líder, querendo a vitória. Será mais na base da raça do que da técnica. Será um jogo pra jogar como Coritiba Foot Ball Club, com valentia, time guerreiro, torcida incansável.

É jogo para recorde de público este ano no Paraná. O recorde pertence ao próprio Coritiba, no AtleTiba do dia 27/04/2008. Naquele domingo, 33.429 torcedores pagaram ingressos (dos quais, apenas 2.500 da torcida deles). Coxa x Grêmio é jogo pra quebra de recorde no Alto da Glória. E eu acredito que este recorde será batido.

Agora, é com a torcida! É jogo para carga total de ingressos sendo vendida. Eu acredito nesta torcida, irei ao jogo e irei apoiar o meu time de coração. E você, fará a sua parte? Tenho certeza que sim.

Agora vai?

Não, não vai. O Coritiba não tem time para deslanchar no Brasileirão. Não tem fôlego para 38 rodadas. Mesmo que ganhe do Grêmio, na raça e no grito, precisa de reforços. E precisa de gente que entenda cobrando resultados e procedimentos do treinador.

O imponderável da bola entra em campo. Seja quando o Cori foi prejudicado pelos erros de arbitragem ou perdeu a penalidade máxima - São Paulo, Cruzeiro, Vitória -, seja quando foi beneficiado por gol espírita do zagueiro ou por chutes que tiveram a bola desviada ou por falhas grosseiras dos marcadores adversários - Goiás, Flamengo e A. Paranaense. São alguns exemplos do imponderável - os árbitros não são punidos e os resultados não são revistos - que ajudam ou prejudicam. É o risco do negócio chamado futebol.

O vai-e-vem na tabela, em especial com alguns dos grandes do G4, como São Paulo, Cruzeiro, ou grandes do G8, como Internacional, são reflexo do baixo nível técnico do campeonato. Estes times - assim como o Flamengo - ao perderem alguns jogadores por contusão, transação ou suspensão, se fragilizam. Mas eles procuram reforços.

E o Coritiba? Procura reforços? Não. Não tem mais dinheiro? É isto. Possivelmente.

Mas se os números do Coxa são suficientes para garantir uma feliz estada na Série A, com uma Libertadores ano que vem, então tá. Pra mim, não são.

Analiso o futebol de forma sistêmica. Avaliar um parâmetro, em geral, é insuficiente.

Se o aproveitamento diz que Dorival é o cara certo, minha intuição diz que não.

Lendo as colunas no site COXAnautas do camisa 10 Alex e do treinador René Simões fico com a nítida impressão que os bastidores do Alto da Glória estão fervendo. Naturalmente, duas personalidades de sucesso como eles não irão tratar abertamente o assunto. Dão as dicas.

É necessário saber ler na entrelinhas. E só quem está no poder ou tem conhecimento vivencial de causa pode entender.

A vitória sobre o Náutico - time que vem na decrescente - pra mim não serve para consolidar um parâmetro de que o time está no caminho certo e que "Agora vai!".

Se o Verdão quer brilhar na Libertadores de 2009, precisa contratar e contratar muito bem. Ainda faltam 24 rodadas e muito campeonato vai acontecer até lá. Se houver a acomodação agora, e o torcedor baixar a guarda, não cobrando reforços (que foram prometidos pelos dirigentes, destaque-se aqui), o Coxa irá pagar caro no final do ano.

São os números vs. a intuição. O tempo dirá quem está certo.