sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Entre as formigas e os abutres, fico com as formigas



É impressionante como o poder transforma as pessoas no Alto da Glória!



Quando da campanha eleitoral, o grupo de Jair Cirino e Tico Fontoura levou exaustivamente um discurso de gestão profissional no Clube.



Depois de eleitos, seus correligionários não conseguiram transformar tal retórica em prática. Pior, as lideranças do grupo Cirino/Tico não conseguem impor isto aos seus comandados: menos papo, mais ação.



As disputas - infames e irresponsáveis! - entre grupinhos políticos, seja de situação, seja de oposição, trazem à tona a discussão de 'abutres, corvos, urubus e outros carniceiros', que seriam os torcedores (sic) que querem a derrota do time em campo para poder criticar a gestão.



A situação mais grave é a da ala situacionista. Justamente por ser a situação quem tem que fazer acontecer.



O mega-projeto chamado 'Projeto Vencer' tem doze tópicos tidos como as premissas de gestão para 12 anos. Repare, doze, mais do que uma década. Doze anos é muito tempo, tempo suficiente para fazer muita coisa. E como o tempo é precioso, tudo o que não está no prioritário Projeto Vencer deve ser deixado de lado.



Em vez de centralizar e priorizar esforços em ações, em 'fazer acontecer', correligionários situacionistas preferem atacar os tais urubus, abutres e corvos.



Pra mim, uma falta de habilidade política enorme, por dois motivos: primeiro, porque literalmente levaram uma tunda do Giovani Gionédis, ao aprovarem por unanimidade as contas da última gestão e por manterem viva o Coritiba S/A, que foi tachado de 'caixa preta e caixa 2 da gestão GG'. Os fatos são estes. Não sei os motivos destes fatos tomarem tais caminhos, mas os fatos são estes. E, politicamente, uma estratégia de atacar Gionédis é temerária em se tratando de Coritiba. De frente, encará-lo não tem sido nada fácil pra muita gente...



Também acho um erro de estratégia dar trela, justamente por fazer meia dúzia de três ou quatro alimentarem este círculo vicioso de ataques pessoais de grupos políticos, por vezes de um lado, por vezes de outro. É uma situação irritante, que não interessa a 99,99% dos torcedores coritibanos, mas que toma um tempo e uma proporção gigantesca na vida do Clube. Um despropósito: os interesses de um grupo, seja qual for, ficam acima dos interesses de uma coletividade, a torcida do Coritiba Foot Ball Club que quer saber é de time forte!



Mais muito mais do que o fator político, o que mais pesa é o fator prático, o da gestão de um clube de futebol no seu dia a dia. Quanta energia desperdiçada com assuntos não relacionados à B-O-L-A, que, convenhamos, é o que interessa à torcida.



Passados sete meses de gestão, ainda não caiu a ficha em alguns adeptos do grupo Cirino e Tico que eles precisam é cuidar do Coritiba Foot Ball Club e não das suas desavenças eleitorais.



Não faço defesa da gestão de Gionédis. Nem faço ataque a ela. Isto não cabe a mim, e sim, aos senhores conselheiros, eleitos ou não, que têm direito (e obrigação!) às vistas documentais de atos e fatos jurídicos do Clube. São eles os designados à função fiscalizadora. E também não faço nem defesa, nem ataque à gestão de Cirino e Tico, cuja chapa foi mereceu meu voto na eleição de dezembro do ano passado. Quero apenas que eles cumpram suas promessas, especialmente a de ter um time forte e competitivo, à altura da grandeza histórica do Coritiba Foot Ball Club.



Faço apenas uma análise de quem está de fora desta briga toda, um torcedor que quer ver o Coxa tratando de futebol - que nem parece prioridade pra muita gente! - e não destas brigas pessoais, do tipo "Fiz mais". As brigas pessoais continuam fortes no Alto da Glória. Uma pena.



Pensei que a gestão de Cirino e Tico seria profissional. E que eles tivessem comando sobre seus pares.



Entre abutres, corvos e urubus, fico com as formigas. Elas trabalham em silêncio e trabalham por um bem maior: a existência de uma coletividade.

5 comentários:

Leopoldo disse...

"Entre abutres, corvos e urubus, fico com as formigas. Elas trabalham em silêncio e trabalham por um bem maior: a existência de uma coletividade."
Esta sua ultima frase sintetiza exatamente meu pensamento.

Anônimo disse...

Luiz, parabéns vc colocou o dedo na ferida, agora precisa dar nomes aos bois. A maior e mais vibrante torcida do estado maerce isto.

Luiz Carlos Betenheuser Jr disse...

Prezado Anônimo:

não ficarei tratando de listas do tipo chamada do SNI. Pra mim, é simples: quem trabalha, seja você, eu, o presidente, o estagiário, de situação, de oposição é formiguinha.

E quem fica de tititi, jogando papo furado, seja de oposição, seja se situação, é corvo. Isto serve pra mim, pra você, pra todo mundo.

Estou tratando de um conceito simples: em vez de termos cigarras no Clube, precisamos ter formigas. A consciência - e a história do fato - se encarrega de nominar os que ajudam o Coritiba.

Fernando Jaremicki disse...

Eu concordo plenamente com a sua coluna Luiz, há muito tempo que a vaidade dentro do Coritiba deixa as pessoas cegas, e o sede pelo poder faz com que a vaidade aflore! As acusações mútuas e gratuitas tem gerado um grande desconforto entre torcedores. E a falta de respeito impera, acredito que a única maneira de mudar este cenário é trabalhando em silêncio. Exatamente como uma formiga, sua alusão foi perfeita!

Um abraço!

Anônimo disse...

Luiz
Me enquadro mais com as formigas mas por outro lado se querer o bem do COXA sou um ABUTRE e dos GRANDES.
Muito importante ter um espaço democratico como esse aonde Abutres e Formigas pode trocar ideias de alto nivel sem desmerecer ninguem.

Albano