quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Coxa não vacila e vence mais uma

O Coritiba foi ao Rio de Janeiro e aproveito o conturbo momento pelo qual atravessa o Vasco da Gama - entre crises políticas, institucionais, de relacionamento e técnica - e venceu o time cruzmaltino por 2x0, com gols de João Henrique e Keirrison, um em cada tempo. Com a vitória, o Cori agora soma 29 pontos, se mantém no pelotão do G8 e traz para sua casa a oportunidade de avançar na tabela neste domingo, contra o Sport, num jogo que tem ares de ser bem mais equilibrado e difícil do que foi contra o Santos e o Vasco.

Não vi o jogo. Apenas ouvi o jogo - pela Transamérica FM - e pela análise da equipe de esportes da Transamérica, o Coritiba mereceu a vitória. Assim como perdeu pelo menos uma ótima chance para marcar no primeiro tempo, quando Guaru, aos 37, se livrou de dois marcadores, fintou o goleiro e demorou para bater ao gol, sendo interceptado pelo zagueiro. No tempo final o Cori também perdeu uma oportunidade de fazer mais um - o time carioca perdeu uma boa oportunidade, quando Vanderlei estava batido e o jogador vascaíno chutou para fora.

O goleiro Vanderlei fez pelo menos uma boa defesa no jogo, evitando o gol adversário. Um bom retorno ao time, já que Vanderlei pouco jogou ano passado e acabou pecando em dois gols numa derrota para a Lusa, em São Paulo. O seguro desempenho de Vanderlei é um motivo relevante, que merece destaque, pois mantém a tranqüilidade da zaga, que contra o Time da Colina, jogou com dois zagueiros - Nenê e Maurício.

Dorival Jr. optou por jogar no 4-5-1, com Keirrison isolado na frente e uma dupla de zagueiros. Nas laterais, Rodrigo - que fez um gol, que foi anulado pela arbitragem - e Ricardinho.

No meio de campo, o treinador do Coxa procurou montar um esquema tático para fechar o setor, liberando os avanços de Guaru e Paraíba pela esquerda de de João Henrique pela direita. Rodrigo Mancha foi o volante que também fazia a função de terceiro zagueiro. Quem também atuou como volante foi Alê, que teve um desempenho elogiado. Teria ele entrado sem condições físicas ideais nas primeiras partidas do turno?

Alê foi um dos jogadores que participou do primeiro gol do time Verde e Branco. Ele chutou ao gol, o goleiro vascaíno deu rebote e o meia João Henrique marcou o primeiro.

De João Henrique uma análise: não tem a velocidade de Marlos, não tem a habilidade de Marlos. Mas quer jogar bola, algo que Marlos não está querendo fazer. Por isto é - merecidamente titular, com base no elenco que DJ tem à disposição. JH é um atleta mediano, mas que está de bem com a torcida coritibana, carente de um bom meia. Se ele tem suas limitações técnicas - pra mim, ele ainda precisa a tocar a bola pra frente, em direção ao gol ao tentar mais uma finta -, o jogador ficou com a titularidade ao mostrar vontade de ser o titular. Num elenco com dois meias, onde só um quer jogar futebol, virou titularíssimo.

No primeiro tempo, o Vasco dependia muito do jogo de bola parada, com Edmundo - que sabe jogar, mas não tem mais condição física de jogar - procurando cruzar na medida para seus companheiros.

O Vasco, de Antônio Lopes, veio mudado para o segundo tempo, já que a derrota parcial era uma lástima para quem precisava pontuar. Lopes trocou defensores por atacantes - durante o tempo final, o time cruzmaltino chegou a ter cinco atletas ofensivos, entre maio-campistas e atacante - e acabou facilitando ainda mais o trabalho para o Verdão, que se fechou na zaga e jogou no contragolpe, com os laterais avançando.

Dorival também mexeu no time alviverde, colocando Marlos no lugar de JH - substituição acadêmica, mantendo o modelo tático - e Carlinhos Paraíba por Rubens Cardoso, uma mexida interessante: se por um lado segurava mais o meio-campo defensivo, congestionando o setor, permitiria que Ricardinho subisse mais ao ataque, assim como Rodrigo pela direita, com Alê fazendo a cobertura do setor.

O frágil time do Vasco, que não contava com o apoio da sua torcida - pouco mais de 4.600 pagantes -, virou presa fácil para o Coritiba, que teve tranqüilidade e comprometimento tático e um pouco de sorte para não sofrer o gol de empate. Mais do que isto, ainda teve capacidade para fazer mais um: Ricardinho avança e cruza na medida para Keirrison fazer o segundo: 2x0, fechando a conta em São Januário.

A vitória foi fundamental para o Coritiba, mantendo o time no pelotão da frente e afastado da ZR - ufa!. Dois jogos fora, duas vitórias, contra dois times que historicamente complicavam a vida coritibana. O Coxa soube muito bem aproveitar as oportunidades. E surpreendeu-me ao fazer seis pontos em dois jogos. Fiquei tão surpreso, quanto feliz.


Falou bonito, DJ!

Fiquei feliz também pelas serenas, calculistas e responsáveis declarações de DJ na coletiva à imprensa. A situação de momento do Verdão é boa, o time está bem colocado na tabela - precisa estar ótimo para conseguir uma vaga na Libertadores, mas com um bom desempenho não cai e ainda pode beliscar uma Sul-Americana - e a imprensa voltou a perguntar sobre o G4.

Dorival negou que o Coritiba esteja preparado para, neste momento, estar no G4. O time ainda precisa convencê-lo, em cinco, seis jogos consecutivos, mantendo um desempenho uniforme e resolutivo. É verdade que o Coritiba evoluiu nestes dois jogos. Se jogou bem ou não, o principal é a vitória. Assim como perdemos chances de fazer, os adversários perderam e o que conta é que vencemos e subimos pontos na tabela.


E aí? O que mudou?


O Coxa ainda precisa de reforços. O time ainda é limitado, o time não pode vacilar pois o campeonato é muito complicado e alguns dos times que caíram nos últimos anos foram aqueles que se desmobilizaram na passagem do turno, achando que tudo estava bem. Mas ao vencer duas partidas fora, os resultados tranqüilizam a nação Coxa e isto é fundamental para um ano sem estresse na relação time & torcida.

Eu imaginava que o time Coxa-Branca poderia trazer dois pontos desta mini-excursão ao eixo Rio-São Paulo. Felizmente, errei e errei feio. E fico feliz em ter errado, afinal, o Coxa ganhou e a nossa torcida está feliz.

Sou torcedor, não sou terrorista, não sou partidário do apocalipse no Alto da Glória. Pra mim, a vitória é importante. Não me convence que tudo se transformou, como num passe de mágica, mas pelo menos, por alguns momentos, a torcida pode comemorar.

DJ está atento, sabe dos limites do time. Que a sorte e a vontade de vencer nos siga, como uma sombra.


No domingo, outra batalha

Domingo, é contra o Sport, um time melhor armado e individualmente superior a Santos
e Vasco. Um time treinado pelo experiente e matreiro Nelsinho, que ano passado aprendeu a lição de não abrir a boca pra falar antes do tempo - ele era treinador da Ponte Preta e perdeu no Alto da Glória, de virada, 2x1, numa noite de muita chuva e emoção, com direito a gol de bico, do artilheiro K9, aos 48 do tempo final.

O Sport virá para Curitiba e eu não acredito que ele virá para deixar o Coxa jogar, muito menos para jogar ofensivamente como o Flamengo jogou. É um outro jogo, nada é fácil e o Cori precisará trabalhar muito para vencer o time pernambucano.

E no domingo, os jogadores que façam o favor de saudarem os torcedores no fim do jogo. Se a torcida chamar o time, não interessava a ela se o time venceu ou perdeu, e sim, que ele lutou para vencer!

3 comentários:

Anônimo disse...

É isto aí Luiz...

Pressão!

Torcida lotando o Estádio!

Time jogando com raça!

everson disse...

Eu notei uma mudança importante de atitude no time e no técnico nessas duas partidas. O DJ brigando pelo time, dando esporro. quem viu a entrevista dele no PFC no intervalo do jogo sabe do que eu to falando. O time jogando com raça, disputando cada bola. Agora vai!

Fernando Jaremicki disse...

Precisamos encorpar um pouco mais, o campeonato é bem nivelado. Times como o Inter estão se reforçando e com bons jogadores. Se fizermos 36 pontos no 2º turno estamos na Libertadores, acima disso Brigamos pelo título.

Vamos com tudo Coritiba!


Abraço Luiz!