terça-feira, 22 de julho de 2008

Reforçar 'e bem' é questão de sobrevivência

Reforçar ‘e bem’ é questão de sobrevivência

Eu tenho alguns amigos torcedores de clubes rivais, com os quais troco e-mails quase que diários, cada um sempre ressaltando algum aspecto positivo de seu clube. É sadio para vermos como pensam, como agem e os motivos de orgulho de nossos adversários.


Pois bem, o e-mail que está na ordem do dia de hoje, é um que diz respeito a um estudo que indica os clubes “mais ricos” do país, realizado por uma empresa de consultoria independente.

Como tudo que de “lá” vem é “meio” falacioso, resolvi dar uma olhada mais profunda no tal estudo. Conclui que apurar o “mais rico” não é bem o que a auditoria propôs. O real objeto do levantamento, é a apuração entre a receita levantada e o superávit (lucro) ou do déficit (prejuízo) de cada clube, no período compreendido entre 2006 e 2007.

Olhando para os anos pesquisados, a receita do Coritiba foi de R$ 14,9 milhões, apresentando ao fim dos dois anos, déficit de R$ 25,8 milhões.

São números que desconheço a procedência e a idoneidade. Mas são números que preocupam, principalmente em um comparativo com outros clubes, que apresentam receitas muito maiores do que as nossas, não obstante não tenham freqüentado a segunda divisão nestes anos.

Estas receitas englobam principalmente patrocínios, venda de atletas, cotas de televisão, planos de sócios, renda de jogos, entre outros.

Se depender d’A que Nunca Abandona, as rendas dos jogos tendem a jamais cair. Mesmo na segunda divisão, tivemos resultados melhores do que nos últimos anos, na primeira. Mas precisamos de resposta e doação em campo.

As receitas de televisão são negociadas direto com a Rede Globo, e em bloco liderado pelo Clube dos 13. Difícil o Coritiba conseguir muito mais do que recebe atualmente, ou os 100% que lhe cabem, pelo bloco a que pertence, por recentemente voltar à elite.

Entretanto, patrocínios, venda de atletas e sucesso em planos de sócios, para trazerem receitas para o clube, dependem única e exclusivamente de uma coisa: RESULTADO! E resultado fora do estado do Paraná, porque nem dá mais graça ganhar estadual em cima “deles” e na casa “deles”. É bom, mas não podemos jamais nos contentar com isso.

A verdade é que o Coritiba precisa de um time vencedor, guerreiro e lutador em campo, que encarne a alma Coxa-Branca e que atraia os olhos do país e do exterior, tanto para o clube como para seus atletas.

Temos que encarnar aquele time que ganha todas em casa. Aquele time que não perde fora de casa e que quando joga como visitante, é cascudo, chato, osso duro de roer, como historicamente sempre fomos. Nunca fomos um time de grandes goleadas e futebol show, mas sempre fomos um time de gana, de raça, do sangue verde nos olhos, que jamais aceita a derrota, seja ela dentro ou fora do Alto da Glória.

Caso nossa diretoria entenda que 2008 não é o ano para montar este time e encarnar este espírito, que deixe para fazê-lo em 2009.

Tenho certeza que a torcida não se importa em prorrogar resultados para o ano do centenário. Aliás, a torcida não vai abandonar o clube e o time, sob circunstância nenhuma. Mas a torcida vai abandonar a diretoria, se permanecer na iminência de cometer os mesmos erros que foram cometidos por seus predecessores, em 2005.

Jamais nossos dirigentes atuais devem esquecer o que para a torcida é inesquecível, para o resto da vida: as duras lições de 2005 - ano que tínhamos um time acertado, mas que desmanchado no meio do campeonato, nos levou à 2ª divisão – são feridas que ainda estão abertas em nossos corações e que ficarão para sempre tatuadas em nossos peitos, como forma de nos lembrar dia após dia, o inferno que passamos.

Vi sair este ano o Henrique, o Jéci, o Michael. Falam que o Marlos não quer mais saber do Coxa.

São dois dos zagueiros titulares e dois dos atacantes. Sendo estes últimos, juntos, jogaram TODAS as partidas deste ano. Ora um como titular, ora outro. Em resumo, perdemos o miolo da zaga inteiro, perdemos o ataque pelas pontas e não vemos reposição nenhuma. Nem especulações!

O tempo para reposição de jogadores está passando. O discurso está sendo semelhante ao que já vi. Temo que o resultado seja o mesmo. Mas ainda há tempo. Se quiserem não ver as receitas despencarem novamente, a permanência na primeira divisão é de absoluta e fundamental importância.

Gastar agora em reforços não é questão de investimento, é questão de sobrevivência.


Fernando Todeschini

xxx

O espaço do blog 'A torcida que nunca abandona' está disponível para os torcedores opinarem, como fez o Coxa-Branca Fernando Todeschini.

Quer participar com sua opinião? Mande seu texto para luiz@coritiba.com


Um comentário:

Anônimo disse...

Parabens pelo texto,espero que nossos diretores assim tambem enxerguem nossa situaçao.

Albano