segunda-feira, 28 de julho de 2008

O futebol em Curitiba e o vandalismo

O blog 'A torcida que nunca abandona' teve acesso às estatísticas da Urbs (empresa que gerencia o transporte coletivo na cidade de Curitiba) relacionadas ao vandalismo ocorrido contra veículos do transporte coletivo em dias de jogos de futebol na capital paranaense.

As estatísticas da Unidade de Fiscalização do Transporte Coletivo da Urbs compreendem os anos de 1997 (só os clássicos locais) até 2003 e de 2005 a 2008 (parcial). Foram computados jogos de diversas competições oficiais (regionais e nacionais) e jogos amistosos.

O recorde (negativo, diga-se de passagem) de depredação ocorreu em 17/04/2005, num AtleTiba realizado na Baixada, que teve 57 veículos danificados.

Os números mostram que historicamente os jogos ocorridos no Pinheirão foram os que mais tiveram ações danosas. Observa-se também que os super-clássicos AtleTibas (em qualquer estádio) trouxeram maiores incidências de danos ao transporte coletivo, assim como jogos onde ocorreram confrontos entre torcedores e a polícia militar (no Couto Pereira e na Baixada).

Historicamente, observa-se também uma redução nas ações violentas. Isto se deve, basicamente, ao processo de mobilização que as torcidas organizadas tiveram a partir de 1998 - com maior força a partir de 2001, quando a presidência da torcida Império Alviverde mudou de dono. A partir deste ano, os números de ações violentas começaram a reduzir.

O trabalho de conscientização dos torcedores, combinado com a atuação das autoridades (Polícia Militar, Ministério Público, Guarda Municipal, Secretaria de Defesa Social de Curitiba) trouxeram resultados positivos com o passar dos anos, com uma redução drástica que ocorreu no biênio 2006/2007.

Em 2008, as finais do Campeonato Paranaense elevaram os números outra vez. Envoltos num ambiente de acirrada rivalidade, ao final da competição, o clássico na Baixada mostrou o pior momento dos últimos três anos em Curitiba: foram 29 ônibus depredados (depois do jogo, com a derrota do time da Baixada, torcedores locais entraram em confronto com os policiais militares).

Com o passar do anos, fica evidenciado que a situação está longe do ideal (o marco zero de ações violentas), mas melhorou significativamente. Como base de análise, levarei em conta apenas jogos envolvendo o Coritiba (por algumas vezes, jogos em 'rodadas dupla', no qual os números de danos foram computados conjuntamente para dois jogos, um dos quais envolvendo o Coxa).

Se no início da década, em 2000, foram 182 ônibus danificados. Em 2006, dezesseis veículos. No ano seguinte, vinte.

Eis os números de ônibus danificados em dias de jogos do Coritiba, de 1997 (só clássicos) a 2008 (exceto 2004):

1997 = 82 ônibus danificados;
1998 = 161 ônibus danificados;
1999 = 147 ônibus danificados;
2000 = 182 ônibus danificados;
2001 = 108 ônibus danificados;
2002 = 42 ônibus danificados;
2003 = 67 ônibus danificados;
2005 = 107 ônibus danificados;
2006 = 16 ônibus danificados;
2007 = 20 ônibus danificados;
2008 = 80 ônibus danificados.


A visão de um torcedor

Consultado sobre o assunto, o presidente da maior torcida organizada do Verdão, a Império Alviverde, fala sobre o tema. "Lógico que os números não são ideais, pois ainda existem danos ocorrendo. Mas eles melhoraram muito a partir de 2001, quando assumi a direção da organizada. Os trabalhos vêm sendo feitos, a troca de informações com a polícia e com a Prefeitura tem permitido o trabalho preventivo", explica Luiz Fernando Corrêa, o Papagaio, presidente da Império.

Durante dois anos, 2006 e 2007, as estatísticas diminuíram sensivelmente. Ainda existem focos específicos de danos ao patrimônio e isto precisa ser verificado pelas autoridades. "As organizadas têm colaborado com as autoridades e os números comprovam que a violência diminuiu, mas é necessário ampliar o trabalho de fiscalização e de prevenção. Isto depende de uma ação que seja conjunta com as autoridades, com os governantes. É um trabalho de quase uma década, que trouxe avanços, mas que precisa ser ampliado".

Para o dirigente da organizada, é fundamental haver uma sintonia na informação entre os torcedores e as autoridades. "Trabalhos preventivos dão resultado. A imprensa divulgando orientações aos torcedores, como saídas das caravanas das organizadas e as rotas que elas vão fazer, ajudaram na prevenção do vandalismo. A polícia e a guarda municipal presente nos terminais e nos locais onde os grandes grupos de torcedores se encontram para saírem rumo aos jogos também trouxe resultados. É um trabalho que precisa ser contínuo. Além disto, as orientações das lideranças das torcidas organizadas para seus associados colaboraram com a redução dos números", conta o diretor da torcida.

"Ter o fim da depredação em veículos de transporte coletivo é a meta a ser alcançada. As estatísticas mostram que algo de bom foi feito. E mostram que algo além disto precisa continuar a ser feito. Organizadas e autoridades trabalhando lado a lado podem reduzir mais estes números já nos próximos anos. É possível", diz Fernando Papagaio.

Para o presidente da torcida, a identificação de jogos de risco maior ou menor colaboram com o trabalho das autoridades. "Existem jogos de grande rivalidade, e não são só os clássicos locais. Jogos com times do eixo Rio-São Paulo e Minas-Rio Grande também tem incidência de problemas envolvendo o vandalismo. Por isto, acredito que seja necessário criar novos mecanismos de controle e de troca de informações sobre a movimentação de torcedores, suas características. Isto favorece ao trabalho estratégico da PM e da Guarda Municipal, que podem atuar de forma preventiva em pontos da cidade onde podem ocorrer distúrbios, evitando-os", ressalta Luiz Fernando, o Papagaio.

"Acredito que as torcidas organizadas procuram mostrar boa vontade junto às determinações das autoridades. Aos poucos, as melhorias deste comportamento vão aparecendo, mas ainda tem muita coisa pra ser feita", finaliza Papagaio.

(Foto: URBS)

2 comentários:

Fernando Todeschini disse...

Atletiba é difícil, mas pelo que me lembro, lá pelo fim da década de 1990, os jogos que mais tinham quebradeira de ônibus, eram Coritiba x Paraná.

Sobre a mudança de postura da IAV, meus cumprimentos ao Fernando Papagaio, que conseguiu - senão acabar definitivamente - conscientizar grande parte da torcida, que passou a evitar esse tipo de confronto, que sem dúvida atinge de forma ruim, toda a sociedade em geral, e afasta torcedores e famílias dos estádios.

Clé disse...

O que aconteceu realmente para que a quebradeira diminui-se não tem nada haver com o papagaio q assumiu em 2001, o q realmente aconteceu foi que no inicio de 2000 os 3 maiores e mais violentos comandos de Curitiba praticamente acabaram, e recentemente voltaram as atividades, com isto o nº de onibus quebrados em 2008 ja aumentou, prova disso é a volta da Z.Sul(Os Fanaticos), I.Sul(Antigo CP) e tbm do C.sul(Fúria).